A clássica figura de Dom Quixote, criada por Miguel de Cervantes em 1605 e conhecida mundialmente como o cavaleiro sonhador que enfrenta “gigantes”, também encontrou espaço na Amazônia. Desde 1997, uma escultura monumental inspirada no personagem se tornou um dos principais marcos da Universidade Nilton Lins, em Manaus.

A obra tem 15,80 metros de altura e foi criada pelo artista parintinense Jair Mendes a convite do professor Nilton Costa Lins, fundador da instituição. A proposta era representar, em forma de arte, o espírito aventureiro e a coragem que movem o personagem literário — valores que o professor considerava essenciais para a formação humana e acadêmica.

Com o passar dos anos, a escultura não apenas se tornou ponto de referência para quem circula na zona Centro-Sul de Manaus, como também atrativo para visitantes que chegam ao complexo universitário. O espaço, além de sediar cursos de formação superior, abrigou eventos que marcaram época, entre eles a tradicional Feira dos Imigrantes, que reunia gastronomia típica de diversas regiões do Brasil e do mundo. Bandas nacionais como Skank, Jota Quest e Titãs já estiveram no local, atraindo grande público na década de 1990.

Um episódio marcante ocorrido ali permanece na memória de quem viveu a cena. Em 31 de agosto de 1997, durante um show do grupo É o Tchan, a avenida em frente à universidade enfrentava intenso congestionamento. Muitos manauaras souberam naquele momento, pelo rádio do carro, da morte da princesa Diana — uma notícia que repercutiu mundialmente.
O idealizador da obra e da universidade, professor Nilton Lins, faleceu precocemente em 2001, aos 56 anos, em decorrência de um câncer. Sua trajetória e contribuição, porém, continuam presentes na vida cultural e acadêmica da capital amazonense.
A escultura de Dom Quixote permanece como um dos símbolos mais reconhecíveis do complexo Nilton Lins, resgatando história, memória e identidade para gerações que passam pelo local.