O Novo Mercado Velho não é apenas um ponto turístico; é o coração pulsante da história e da cultura de Rio Branco, capital do Acre. Inaugurado em junho de 1929, esta foi uma das primeiras edificações de alvenaria da capital, testemunhando e acompanhando o desenvolvimento da cidade por quase um século.
Mais do que um centro de comércio, o mercado é um repositório de memórias. Lojistas veteranos carregam a história viva do local. Seu Ademar, por exemplo, trabalha com artigos religiosos ali desde 1977.
“Já se vão 32 anos de atividade. Se você quisesse comprar uma sandália havaiana, uma geladeira, uma televisão tinha que vir aqui na região da Praça da Bandeira.”
Seus artigos, que vão de perfumes a velas, são procurados pelas famílias acreanas e turistas o ano inteiro, mantendo viva uma tradição de fé e devoção.
Tradição e Saberes Ancestrais

Outro destaque que atrai a atenção dos visitantes é a loja do Dr. Raiz, um verdadeiro templo de saberes tradicionais.
“A gente está aqui no mercado desde 1988, já são 36, 37 anos. Além de trabalhar com as plantas medicinais, a gente trabalha também com incensos e produtos aromáticos. Como eu já sou muito antigo aqui, a gente tem uma clientela praticamente fixa. E o turista, quando vem ao Acre, ele gosta de vir aqui no mercado.”
O mercado se estabelece como um portal para a tradição amazônica e indígena, onde as mercadorias carregam consigo séculos de conhecimento.
Artesanato que Conta a História do Acre

O Novo Mercado Velho oferece muito mais do que apenas produtos; ele proporciona uma experiência surpreendente, onde cada peça conta uma parte da trajetória do Acre.
Seu João Neto vende artigos genuinamente acreanos, de roupas a produtos artesanais. O item mais procurado? Os chaveiros feitos de jarina. Ele explica a magia da semente:
“Quando você tira a semente daqui de dentro, ela sai assim, bem molezinha, parece um elástico. Quando ela seca, ela se torna assim, já uma semente madura para o artesanato. Você tira a casca marrom dela, ela fica branca. Depois do branco você consegue trabalhar os tingimentos com ela. Então, assim, são histórias do nosso estado do Acre que o turista que escuta gosta.”

A jarina é conhecida como o “marfim das biojóias da Amazônia”, e a forma como é transformada em arte ilustra a riqueza natural e a criatividade local.
A artesã Dulce Leide reforça a importância de seu trabalho na manutenção da identidade cultural:
“A importância hoje eu vejo que é cultural e histórica. Porque, na verdade, os artesanatos contam a história. Histórias do Acre, como aconteceu, o decorrer do tempo, quanto foi evoluindo.”
Localizado ao redor da Praça da Bandeira do estado, o Novo Mercado Velho é um símbolo de resistência cultural. Ele não só reúne famílias, amigos e turistas, mas também mantém viva a cultura acreana em uma tradição que resiste ao tempo e continua a evoluir, oferecendo a cada visitante uma imersão na alma da capital.