A Capela de Santo Antônio do Pobre Diabo é um dos tesouros escondidos de Manaus, localizada no bairro da Cachoeirinha, zona sul da cidade. Pequena e cheia de simbolismo, ela foi construída no fim do século XIX e reconhecida como patrimônio histórico do Amazonas em 1965.

Erguida em tijolo e pedra, a capela mede apenas quatro metros de largura por oito de comprimento, mas impressiona pelo estilo neogótico. Sua fachada exibe arcos trilobados, gabletes e coruchéus ornamentados, além de uma máscara de inspiração greco-romana que decora a entrada — um detalhe raro na arquitetura manauara.

A história por trás do nome curioso é tão fascinante quanto a construção. O comerciante português Antônio José da Costa, devoto de Santo Antônio de Lisboa, costumava encerrar o expediente com a frase: “Meu Santo Antônio, protegei este pobre diabo”. A expressão acabou se tornando uma marca pessoal — e batizou o templo erguido por sua esposa, Cordolina Rosa de Viterbo, em agradecimento pela recuperação do marido após uma doença.
O casal doou o terreno à Diocese de Manaus em 1897, com a condição de que Cordolina fosse a zeladora enquanto viva. A capela foi abençoada oficialmente em 13 de junho de 1901, data dedicada a Santo Antônio, e desde então mantém uma forte relação com a comunidade local.
Hoje, o pequeno templo abriga cerca de 20 pessoas e abre suas portas apenas em momentos especiais — principalmente nas comemorações do dia do santo, quando há bênção de pães e visitação.
Mais que um monumento, a Capela de Santo Antônio do Pobre Diabo é um retrato da fé simples e da criatividade amazônica. Um espaço que une história, devoção e um toque de humor — características que ajudam a contar a alma da própria Manaus.