Os jacarés se tornaram símbolo do Parque Nacional de Anavilhanas
Dois jacarés-açus, carinhosamente apelidados de “Jack” e “Jason”, têm se tornado uma das principais atrações do Parque Nacional de Anavilhanas, localizado em Novo Airão, no interior do Amazonas. Frequentemente vistos nas proximidades da base flutuante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os animais conquistaram visitantes e guias turísticos com sua presença imponente e curiosa.
O Parque Nacional de Anavilhanas é uma das maiores áreas protegidas de ilhas fluviais do mundo e abriga uma rica diversidade de fauna e flora amazônica. Nos últimos anos, o aumento da visitação e o crescimento do turismo ecológico na região têm aproximado cada vez mais o público da vida selvagem local — o que, ao mesmo tempo em que desperta encantamento, também exige cuidados e responsabilidade ambiental.
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A presença de “Jack” e “Jason” foi notada há cerca de cinco anos, quando agentes do ICMBio perceberam que os jacarés estavam se aproximando da base flutuante. Desde então, o comportamento dos animais passou a ser monitorado de perto. Com o interesse crescente dos turistas, o instituto investiu em infraestrutura para garantir segurança e educação ambiental, incluindo avisos informativos e palestras sobre a fauna e a flora do parque.
De acordo com o chefe do Parque Nacional de Anavilhanas, Hueliton Ferreira, o turismo controlado tem ajudado a despertar a consciência ambiental entre os visitantes.
“A visita é controlada e monitorada. Nossos agentes são treinados para garantir a segurança dos visitantes e não interferir na vida dos animais. Isso é positivo tanto para o parque quanto para as pessoas, que passam a entender a importância da conservação do bioma amazônico”, afirma Ferreira.
Apesar do fascínio que os jacarés provocam, especialistas alertam para os riscos da aproximação excessiva e para a necessidade de manter distância segura. O biólogo Ildean Fernandes, especialista em crocodilianos amazônicos, explica que esses animais tendem a se aproximar de locais onde há abundância de alimento, o que pode ser um indicativo de mudanças no comportamento natural da espécie.
“Os crocodilianos escolhem seus habitats com base em critérios como alimentação e abrigo. Eles se atraem por locais com abundância de recursos”, explica Fernandes.
O pesquisador também reforça que a alimentação indevida de animais silvestres, ainda que bem-intencionada, pode trazer consequências negativas, como a dependência dos recursos humanos e o aumento do risco de acidentes.
Para o ICMBio e os especialistas, o desafio está em equilibrar a experiência turística com a preservação da vida selvagem. O trabalho de conscientização ambiental busca garantir que o encontro entre visitantes e jacarés continue sendo um símbolo da força e da beleza da Amazônia — sem comprometer o delicado equilíbrio ecológico do Parque Nacional de Anavilhanas.