Entre os inúmeros símbolos que marcam o Círio de Nazaré, a corda é, sem dúvida, um dos mais emblemáticos. Medindo cerca de 800 metros, ela representa a ligação física e espiritual entre os fiéis e Nossa Senhora de Nazaré, guiando a berlinda que carrega a imagem sagrada pelas ruas de Belém.
A tradição nasceu em 1855, quando a procissão enfrentou um contratempo: a berlinda atolou durante o trajeto, e nem os cavalos conseguiam movê-la. Diante da dificuldade, um comerciante local improvisou uma corda, permitindo que os devotos puxassem o andor até o destino final. O gesto simples e solidário deu origem a um dos rituais mais marcantes da festa.
Com o passar do tempo, a corda se tornou símbolo de devoção, esforço e união, acompanhando a procissão principal, realizada no segundo domingo de outubro, durante um evento que movimenta toda a cidade com romarias, trasladações, missas, vigílias e arraiais.
Para preservar essa herança, a campanha “Não Corte a Corda” volta a ganhar força em 2025, orientando os fiéis a não retirar pedaços do objeto durante o trajeto. A iniciativa reforça o respeito à tradição e garante que todos possam completar a caminhada com segurança.
O Círio de Nazaré, celebrado há mais de 200 anos, teve início ainda no século XVIII, quando o caboclo Plácido encontrou a imagem da santa às margens de um riacho, no local onde hoje está a Basílica Santuário. Desde a primeira procissão, em 1793, a festa cresceu e se transformou em uma das maiores manifestações religiosas e culturais do Brasil — um encontro de fé, história e amor que une gerações de paraenses e devotos de todo o país.