O documentário Etelvina – A Ressignificação da Tragédia estreia no dia 15 de maio, às 20h, no Cemitério São João Batista, na zona Centro-Sul de Manaus. Dirigido por Cleinaldo Marinho e produzido pela CM ArteCultura & Produções, o filme terá uma exibição inédita no Amazonas: pela primeira vez, um cemitério receberá uma estrutura de cinema para a apresentação de uma obra audiovisual.
A escolha do espaço está ligada à história de Etelvina de Alencar, assassinada em 1901 e transformada, ao longo dos anos, em símbolo de devoção popular entre moradores da capital amazonense.
Além disso, antes da sessão principal, o público poderá assistir a uma exibição especial de Ária Fazendo a Vida Viver, produção anterior de Cleinaldo Marinho que ganhou destaque no Teatro Amazonas.
Documentário resgata memória de Etelvina de Alencar
O longa relembra a trajetória de Etelvina de Alencar, morta de forma violenta há 125 anos na antiga Colônia Campos Sales, região que atualmente corresponde ao bairro Santa Etelvina, na zona Norte de Manaus.
Ao longo do documentário, a narrativa mostra como a memória da jovem ultrapassou o episódio trágico e passou a integrar manifestações de fé popular. O filme acompanha relatos de pessoas que visitam o túmulo de Etelvina no Cemitério São João Batista e atribuem graças alcançadas à figura conhecida como “Santa Etelvina”.
Segundo o diretor Cleinaldo Marinho, a proposta da obra vai além da reconstrução histórica.
“A arte e a cultura têm o poder de transformar um espaço de luto em um espaço de escuta”, destacou o cineasta.
Filme aborda violência contra a mulher
Além da dimensão religiosa e simbólica, o documentário também debate a violência contra a mulher ao longo da história. Embora o termo feminicídio seja recente, a produção aponta que práticas relacionadas ao controle, à posse e à dominação já estavam presentes no caso de Etelvina no início do século XX.
De acordo com Cleinaldo Marinho, revisitar histórias como essa ajuda a compreender como diferentes formas de violência permanecem estruturadas na sociedade contemporânea.
Nas cenas ficcionais, a atriz Rosana Neves interpreta Etelvina. A participação marca o reencontro da artista com o diretor após a atuação em Ária – Fazendo a Vida Viver.
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Patrimônio histórico recebe estreia do documentário
Fundado em 1890, o Cemitério São João Batista reúne elementos arquitetônicos e artísticos preservados desde o século XIX, como capela em estilo gótico, esculturas e gradis originais.
Para a equipe de produção, realizar a estreia do documentário no local fortalece o diálogo entre patrimônio histórico, memória e arte, transformando o espaço em ambiente de reflexão cultural.
O documentário Etelvina – A Ressignificação da Tragédia foi contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, por meio do Concultura, com recursos do Governo Federal.