O renomado artista Carlinhos Brown uniu forças com o produtor e DJ Felipe Poeta para lançar o single “Boca Risonha”, que estreou nas principais plataformas de streaming na última sexta-feira (6 de março de 2026). A faixa propõe um diálogo inovador entre a tradição afro‑amazônica do marabaixo e os elementos contemporâneos da música eletrônica, oferecendo ao público uma experiência sonora vibrante e culturalmente rica.
Ritmo e ancestralidade em cena
O marabaixo, ritmo tradicional do Amapá e expressão importante da cultura afro‑brasileira, foi a principal inspiração para a composição e produção da nova música. Carlinhos Brown, que tem se envolvido profundamente com tradições culturais do Norte do Brasil, mergulhou na pesquisa rítmica e nos saberes populares durante expedições ligadas ao documentário Amazônia Negra: Expedição Amapá, despertando seu interesse em integrar essa ancestralidade à música eletrônica.
Para Felipe Poeta, a colaboração foi uma imersão criativa intensa. Ele descreve como Brown incorporava sons do ambiente — desde batidas naturais a percussões improvisadas — como parte do processo de criação musical. Essa abordagem orgânica acabou moldando a identidade sonora de “Boca Risonha”, que traz gravações feitas diretamente durante a expedição audiovisual.
Uma produção colaborativa e plural
A gravação de “Boca Risonha” conta com participações de artistas ligados à cultura regional, incluindo Ryan Newman, Jhimmy Feiches, Patrícia Bastos e Fineias Nelluty — vozes que imprimem autenticidade e diversidade ao projeto. Essa pluralidade reflete a intenção dos envolvidos de valorizar o repertório local e expandir sua visibilidade no cenário musical nacional e internacional.
Segundo Poeta, o objetivo principal foi despertar a curiosidade do público geral sobre o marabaixo: “Se a música causar aquela intriga de ‘o que foi isso que eu ouvi agora?’, já valeu”, afirmou em entrevista.
Cultura, inovação e música
O encontro entre Brown e Poeta é mais do que uma fusão de estilos — é um movimento de resgate e celebração cultural. Ao misturar o tradicional com o contemporâneo, “Boca Risonha” evidencia como ritmos historicamente locais podem ganhar novos significados e público quando reinterpretados com sensibilidade criativa.
Essa iniciativa também se alinha a um momento em que artistas brasileiros exploram cada vez mais as raízes culturais do país como forma de influenciar tendências globais de música, aproximando audiências de diferentes contextos e inquietações sonoras