Apicultura cresce no interior do Pará e garante renda extra para produtores rurais

Produção de mel em comunidades rurais de Santa Isabel do Pará ganha apoio técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural e se consolida como alternativa de renda.
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A produção de mel tem se tornado uma importante fonte de renda complementar para produtores rurais no interior do Pará. Na comunidade Jundiaí, em Santa Isabel do Pará, a cerca de 47 quilômetros de Belém, o apicultor Celso mantém um apiário que há cerca de dez anos ajuda a reforçar o orçamento da família.

Instalado nos fundos da propriedade, o espaço já chegou a abrigar 40 enxames. Atualmente, o produtor mantém nove colmeias de abelhas com ferrão — conhecidas como africanas — e também trabalha com abelhas nativas, consideradas ideais para esse tipo de produção.

A comercialização do mel acontece principalmente entre moradores da própria comunidade e localidades próximas. Segundo Celso, a atividade garante uma renda extra importante ao longo do ano.

“Cada garrafa de um litro é comercializada em média a R$ 50,00. É um tipo um 14º salário, que já vem para ajudar no final do ano. Como eu tenho só nove enxames, nesse ano eu produzi em torno de 45 litros de mel”, explica.

O volume da produção varia bastante ao longo do ano, principalmente por causa das condições climáticas. Durante o período chuvoso, a produção costuma cair.

“Esse mel eu vendo geralmente para a minha comunidade ou para outras comunidades. Neste período de muita chuva, a produção baixa. O cenário melhora a partir de junho, com a chegada do verão”, acrescenta o apicultor.

Apoio técnico fortalece a produção

O desenvolvimento da atividade na região também conta com o acompanhamento técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Técnicos da instituição visitam regularmente os produtores para orientar tanto na parte técnica quanto na gestão da atividade.

“Nós visitamos o produtor uma vez por mês. Nessa visita, nós trabalhamos a parte técnica e a parte gerencial de cada produtor”, explica um dos técnicos do programa, Bruno Martins

Segundo ele, o acompanhamento é personalizado, já que cada propriedade tem características e desafios diferentes.

“É um trabalho muito particular, porque cada produtor tem uma realidade diferente. Então, trabalhamos de acordo com a realidade de cada produtor. Na parte técnica, visando melhorar a produtividade das suas abelhas, tirando o máximo potencial de cada colmeia”, afirma.

Além disso, os produtores recebem orientações sobre gestão financeira da atividade.

“Na parte gerencial, coletamos dados para ele ver os custos de produção e a receita que ele tem, para ele ter noção do quanto ele gasta para poder precificar o seu produto”, completa.

Produção sustentável

O manejo das colmeias também inclui soluções sustentáveis. Muitos dos equipamentos utilizados no apiário são feitos com materiais reaproveitados.

Entre eles estão pedaços de espuma de colchões, canos descartados e garrafas PET, que servem para alimentar as abelhas em períodos de escassez de néctar.

“Nós utilizamos espuma de colchão velho, de sofá, que muita gente joga na rua. Também pedaços de cano que não servem mais. Das garrafas PET fazemos o alimentador delas, onde colocamos o xarope, que é a mistura de água e açúcar que substitui o néctar das flores”, explica o técnico.

Esses materiais também ajudam a manter o microclima adequado dentro das caixas, principalmente durante períodos de muita umidade.

Técnicas de manejo

Durante o manejo das colmeias, uma das práticas utilizadas pelos apicultores é a aplicação de fumaça, que ajuda a reduzir o risco de ataques das abelhas.

Celso explica como funciona esse processo.

“Essa fumaça faz com que dificulte a abelha na comunicação delas para fazer com que elas vão adquirir o consumo do xarope e faz com que o abdômen dela se torne cheio, dificultando para ela ferrar e até mesmo para ela voar”, conta.

Ele completa:

“É uma forma da gente se proteger do ataque das abelhas. É uma forma de proteção para o apicultor que trabalha com abelhas”.

Mercado em expansão

De acordo com técnicos do Senar, a apicultura está em expansão no estado, especialmente na região nordeste paraense.

“O Pará é um excelente produtor de mel, é uma atividade de expansão. No Nordeste Paraense, a região de Bragança e de Primavera são os principais municípios produtores de mel, mas aqui em Santa Isabel ele está em um projeto de expansão”, destaca o técnico.

Outro exemplo é o apicultor João, que há cerca de 30 anos trabalha com a produção de mel como forma de subsistência.

Ele afirma que o apoio técnico fez diferença no crescimento da produção.

“Melhorou porque a gente tem o apoio do rapaz do Senar aqui todo mês. O mel aumentou mais, a produção aumentou mais, aí melhorou 80%”, relata.

Muito além do mel

O trabalho das abelhas também gera outros produtos, como própolis, cosméticos e derivados naturais. Entre eles estão sabonetes, geleias de banho e extratos usados para fins medicinais.

Mas para muitos produtores, o mel continua sendo o destaque — seja como alimento ou como remédio natural.

“Tudo com mel é bom, tudo você pode comer com mel, porque o mel é um alimento. Tem gente que só usa o mel para remédio, mas é errado, o mel é alimento. Bote um melzinho num pão para vocês verem”, diz Celso.

E quem prova dificilmente discorda. Segundo moradores da comunidade, seja com pão, bolacha ou puro, o mel produzido na região continua sendo um dos sabores mais valorizados da vida no campo.

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