Pitaia ganha força em Manacapuru e vira principal fonte de renda para agricultor da zona rural

Fruta exótica avança na M-352 e produtores defendem mais apoio para ampliar a produção no município
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Depois de quase uma hora e meia pela estrada M-352, seguindo pelo ramal da Viúva, a paisagem revela uma plantação que vem transformando a realidade de uma família na comunidade Grande Vitória, no quilômetro 18 da estrada de Novo Airão, em Manacapuru. Ali, o agricultor Francisco, conhecido como Seu Neca, cultiva pitaia há cerca de cinco anos — atividade que começou como teste e hoje é a principal fonte de renda da casa.

Segundo ele, o início não foi fácil. “Foi um cara que trouxe para nós trabalhar de metade. Só que jogou aí, não explicou quase nada. Eu plantei e morreu tudo”, relembra. A virada veio com persistência e busca por conhecimento. “Peguei quinze pés e fui pela televisão ver como era. Plantei de novo. Dos quinze pés, hoje estou com esse tanto aqui plantado”, conta, orgulhoso da expansão que já ultrapassa mil pés.

A pitaia, fruta de sabor marcante e alto valor de mercado, tem se consolidado como alternativa rentável para a agricultura familiar. O cultivo exige investimento em estrutura, condução adequada das plantas e acompanhamento constante, mas o retorno financeiro compensa.

Seu Neca acredita que o apoio público poderia acelerar ainda mais o crescimento. “Se o governo olhasse e tivesse para quem vendesse minha produção, já tinha muito mais. Hoje já tenho na faixa de mil e poucos pés”, afirma.

Manejo simples e colheita contínua

Por ser um cacto, a pitaia não exige irrigação intensa, o que facilita a adaptação ao clima da região. O manejo, segundo os produtores, é feito com adubações periódicas. “A base é fosfatado, sulfamon. Como ela é um cactus, não precisa estar irrigando muito. Dependendo da adubação, começa a produzir direto”, explica.

A colheita ocorre de forma periódica, garantindo fornecimento constante para feiras locais. A produção já abastece mercados da região e começa a despertar interesse de compradores de outros municípios.

Cultura em expansão

Além da geração de renda, o cultivo da pitaia tem despertado curiosidade entre outros agricultores. “Eles têm curiosidade dessa cultura. A gente até sugeriu que produtores viessem aqui ver a produção do seu Neca, para entender como funciona”, destaca um dos incentivadores da iniciativa.

A expectativa é que a fruta se consolide como uma das principais alternativas agrícolas de Manacapuru nos próximos anos. “A pitaia, por ser economicamente viável, vem atraindo pessoas para produzir”, reforça.

Com público consumidor crescente ao longo da M-352 e também nos ramais da M-070, a perspectiva é de expansão acelerada. “Vai haver um crescimento muito grande em função da massificação da produção no município”, projetam os envolvidos.

De experiência incerta a aposta promissora, a pitaia mostra que inovação e persistência podem transformar a agricultura familiar no interior do Amazonas.

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