A soltura de 5.255 tracajás (Podocnemis unifilis) foi realizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu, no Amazonas, em ação coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). A atividade ocorreu entre os dias 20 e 22 de fevereiro e envolveu moradores das comunidades Nova Geração e São Sebastião do Igapó-Açu.
Do total de animais devolvidos à natureza, 2.308 são oriundos da comunidade Nova Geração e 2.947 da comunidade São Sebastião do Igapó-Açu. As localidades ficam no km 260 da BR-319, entre os municípios de Beruri, Borba e Manicoré, área conhecida como trecho do meio da rodovia.
Segundo o gestor da unidade de conservação, Cristiano Gonçalves, a atividade também contribui para a movimentação econômica local.
“As pousadas estão lotadas e a atividade gera renda para a comunidade, além de incentivar a participação dos moradores no projeto”, afirmou.
A soltura integra ações de manejo participativo desenvolvidas na unidade com apoio institucional e atuação direta das comunidades. A edição deste ano registrou taxa de eclosão próxima de 80%, além de aumento de 6,7% no número de animais soltos em comparação com 2025.
Manejo comunitário
O processo segue metodologia do Projeto Pé-de-Pincha, desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas, que atua há mais de 25 anos em cerca de 180 comunidades do estado.
De acordo com dados do projeto, a sobrevivência natural dos quelônios após o nascimento é de aproximadamente 1%. Com o manejo técnico e comunitário, o índice pode alcançar até 18%.
“Quem realiza a coleta e todo o acompanhamento são os comunitários treinados, responsáveis pelas etapas do manejo dentro do projeto”, explicou a coordenadora de campo Sandra Azevedo.
Os comunitários realizam a coleta dos ovos após treinamento técnico. O material é levado para chocadeiras protegidas, onde permanece por cerca de 60 dias até o nascimento. Após essa etapa, os filhotes passam por biometria, com medição e pesagem, e permanecem em berçários por até três meses antes da soltura.
Parcerias institucionais
A ação contou com participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio do Consórcio Concremat/Hollus, além do Instituto Acariquara e do Instituto Claro.
O financiamento ocorre por meio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), iniciativa coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, com gestão financeira do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). No Amazonas, o programa é executado pela Sema em 24 unidades de conservação estaduais.