Museu na Amazônia reúne mais de 3 mil presépios e é um dos maiores do mundo

Espaço em Porto Velho transforma fé, arte e tradição em um dos acervos mais impressionantes dedicados ao nascimento de Cristo
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Em meio a Amazônia, longe dos grandes centros culturais do país, um espaço chama a atenção de visitantes e pesquisadores: o Museu Internacional do Presépio, considerado o maior do Brasil e o segundo maior do mundo na categoria. Localizado na Associação São Tiago Maior, em Porto Velho, o museu reúne mais de 3 mil presépios e cerca de 6.800 peças de mais de 30 nacionalidades diferentes.

A história do acervo começou de forma simples. “Em 1990, eu comecei a coleção dos presépios que agora temos aqui no museu”, relata o idealizador do espaço o Padre Enzo Manzano. O que era inicialmente uma iniciativa voltada à catequese infantil acabou ganhando proporções internacionais.

“Para fazer catequese para as nossas crianças, fizemos concursos de presépios. Cada um apresentava o seu jeito, com o material que podia. Jesus, José e Maria, o nascimento, juntamente com os bois, o burrinho”, recorda. Segundo ele, foi assim que o projeto cresceu, impulsionado também por doações da comunidade e da escola.

Hoje, o museu guarda peças que variam “do tamanho de um polegar a tamanho gente”, feitas de madeira, barro, tecido, palha e vidro. Obras simples dividem espaço com criações ricamente detalhadas, formando um verdadeiro encontro de culturas em solo amazônico.

“O museu não é algo de ver, mas de viver”

Questionado sobre o que torna o espaço tão especial, o fundador faz questão de ampliar o significado do local. “Cada museu é especial, porque o museu não é algo de ver, mas de viver. O museu fala de coisas que são artísticas, históricas, que comunicam um sentimento para que você possa apreciar a história da vida passada, o presente e ter um olhar para o futuro.”

Ele destaca que o diferencial está no foco exclusivo no nascimento de Cristo. “O que é especial é que este fala exclusivamente sobre o nascimento de Cristo. É o verbo, é a palavra de Deus, que se fez carne, se fez homem. Nós apresentamos esta parte da vida de Cristo, o nascimento.”

O visitante, segundo ele, pode fazer uma verdadeira viagem cultural sem sair da Amazônia. “Com um olhar de duas horas mais ou menos, você vê vários lugares do mundo que apreciaram e apresentaram o nascimento de Cristo.”

Reconhecimento internacional e orgulho amazônico


O reconhecimento internacional também é motivo de orgulho. “Há dois presépios deste no mundo, um na Itália e outro aqui em Porto Velho”, afirma. Ao falar sobre a repercussão, ele demonstra gratidão: “A gente agradece a Deus que conseguimos ter pessoas que se enamoraram do presépio, porque quando chegamos, muita gente não sabia nem o que fosse o presépio.”

O acervo inclui, por exemplo, o presépio napolitano e o siciliano, além de 18 encenações que retratam passagens do Evangelho. “Cada obra que a gente consegue realizar aqui na nossa Vila Nazaré é para a glória de Deus, para que a pessoa, quando visita, possa se sentir bem e dizer que a vida, ao final, vale a pena.”

Para ele, cada artista, “desde o mais anônimo até o mais importante”, coloca a própria fé e a própria arte a serviço da mensagem da encarnação.

No coração da Amazônia, o museu transforma tradição em patrimônio cultural. Mais do que um espaço religioso, o local se consolida como centro educativo e cultural, mostrando que Porto Velho guarda um dos tesouros mais singulares do mundo quando o assunto é arte sacra e presépios.

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