Inpa faz degustação de Pupunha com 50 participantes.

Degustação no Inpa avaliou seis variedades de pupunha produzidas por agricultores de Coari.
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A avaliação sensorial das progênies de pupunheira da segunda geração, produzidas por agricultores familiares do município de Coari, a 368 quilômetros de Manaus, foi realizada no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e reuniu mais de 50 degustadores. A atividade analisou seis variedades do fruto, considerando características como sabor, cor, teor de amido e facilidade de descascamento. Entre os participantes esteve o pesquisador aposentado do Inpa Charles Roland Clement, referência e pioneiro nos estudos sobre a pupunha na Amazônia.

Sônia Alfaia e Charles Roland Clement. Foto: Kaylane Golvin- Ascom Inpa.

A iniciativa integrou o subprojeto do Inpa coordenado pela pesquisadora Sônia Sena, intitulado “Melhoramento participativo de pupunha para produção de fruto em parceria com agricultores do município de Coari–AM”. A ação faz parte do projeto “Modelos de restauração florestal: geração de renda, redução do desmatamento e valorização de remanescentes florestais de agricultores familiares e comunidades indígenas amazônicas”, desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam) e o programa Amazônia+10.

Estudos realizados pelo Inpa em Manaus, ainda em 2001, já haviam mapeado as preferências do consumidor local em relação ao fruto da pupunha. Os dados mostraram que 53% dos consumidores preferem frutos oleosos, 40% moderadamente oleosos e apenas 7% secos e farinhosos. Essas informações serviram de base para direcionar o melhoramento da pupunheira, com foco na produção de frutos alinhados ao gosto do consumidor manauara.

Segundo a pesquisadora Sônia Sena, embora as condições ambientais e produtivas sejam favoráveis à expansão do mercado da pupunha, a ausência de variedades com características bem definidas ainda representa o principal desafio para o desenvolvimento do cultivo. A grande variabilidade dos frutos, explica, dificulta a padronização da qualidade e acaba não atendendo plenamente às expectativas do consumidor, o que historicamente limitou o crescimento do fruto no mercado.

Pupunha amarela. Foto: Kaylane Golvin- Ascom Inpa.

“Para superar essa condição, foi desenvolvido um programa de melhoramento genético participativo, com o objetivo de obter uma pupunha com boa produtividade e qualidade de fruto, de acordo com as preferências do consumidor local”, explicou a pesquisadora. Ela destacou ainda que o Inpa tem atuado de forma próxima às comunidades do interior, promovendo avanços na produção que contribuem diretamente para o fortalecimento da economia local.

Para Charles Clement, a experiência de degustação reforçou o potencial do fruto para conquistar o mercado regional. “Aqui avaliamos pupunhas amarelas e vermelhas. Sou parcial às vermelhas e às mais oleosas, porque têm mais sabor, mas há quem prefira o fruto amarelo. No fim das contas, a degustação serve justamente para identificar qual qualidade de pupunha tem mais potencial para chegar à mesa do consumidor”, avaliou.

O trabalho foi desenvolvido em parceria com produtores familiares de Coari, principal município produtor de pupunha do Amazonas, com aproximadamente 900 hectares de área plantada. Como resultado do processo de melhoramento, já é possível oferecer frutos com melhor qualidade. As sementes melhoradas dessa safra serão destinadas ao município de São Gabriel da Cachoeira, a 850 quilômetros de Manaus, e ao estado de Roraima, com o objetivo de atender à demanda de agricultores yanomamis, ampliando o alcance social e produtivo da iniciativa.

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