Jacarés em áreas urbanas de Manaus não representam ameaça à população

Especialistas explicam que a presença de jacarés em áreas urbanas de Manaus está relacionada à urbanização acelerada e ao ciclo natural dos rios amazônicos.
Redação Amazônia Incrível
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O aumento no número de avistamentos de jacarés em áreas urbanas de Manaus tem chamado a atenção da população, mas especialistas explicam que o fenômeno está diretamente ligado à urbanização acelerada, à ocupação desordenada das margens dos igarapés e a fatores naturais do ciclo dos rios amazônicos.

Doutor e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Ronis da Silveira afirma que a sensação de crescimento não é apenas uma impressão da população. Segundo ele, nas últimas duas décadas houve um crescimento acelerado das populações naturais de jacarés na Amazônia, especialmente no estado do Amazonas e na capital Manaus. Para o pesquisador, esse cenário é resultado da combinação entre a recuperação ambiental de algumas áreas e o avanço da cidade sobre os habitats naturais.

Outro fator determinante é o período de cheia dos rios amazônicos, quando os jacarés ampliam suas áreas de circulação em busca de alimento e abrigo, o que aumenta o contato com a população urbana. Nesse contexto, os encontros se tornam mais frequentes, principalmente em bairros cortados por igarapés.

Dentro da área urbana de Manaus, estão presentes as quatro espécies de jacarés da região amazônica. O jacaré-açu, de grande porte, é mais associado ao Rio Negro e a ambientes de várzea, enquanto o jacaré-tinga é o mais comum e amplamente distribuído pelos igarapés da cidade. Segundo o pesquisador, é comum observar aglomerações da espécie em determinados pontos urbanos.

Apesar do medo que esses animais despertam, especialistas reforçam que os jacarés não incluem humanos em sua dieta. Pelo contrário, eles tendem a enxergar as pessoas como uma ameaça. A orientação é clara: se não houver provocação, o risco de incidentes é mínimo, já que o comportamento natural do animal é evitar o contato.

Nos últimos meses, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) registrou diversas ocorrências envolvendo jacarés em áreas urbanas. Quando o animal representa risco, equipes especializadas realizam o resgate, seguindo protocolos técnicos e científicos previamente estabelecidos. Após a captura, os jacarés são devolvidos a áreas seguras da natureza, preservando tanto a população quanto o animal.

O monitoramento de jacarés em áreas urbanas de Manaus ocorre há pelo menos 15 anos. De acordo com os dados levantados nesse período, não há registros de ataques de jacarés a humanos na capital. No interior do estado, porém, acidentes pontuais podem ocorrer, especialmente envolvendo o jacaré-açu, embora não sejam frequentes em toda a Amazônia.

O pesquisador também destaca que o medo em torno desses répteis está fortemente ligado a lendas, mitos amazônicos e narrativas culturais ancestrais, que reforçam a imagem do jacaré como um predador perigoso. Para ele, o desafio atual é encontrar um equilíbrio entre segurança da população, preservação ambiental e planejamento urbano.

Em casos de risco, a recomendação é acionar o serviço de resgate de fauna do IPAAM, disponível via WhatsApp, evitando qualquer tentativa de aproximação ou captura do animal. A convivência segura depende, sobretudo, de informação, respeito à fauna silvestre e consciência ambiental.

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