Junior Okário’i Tapirapé, estudante do primeiro semestre de Pedagogia Intercultural Indígena da Universidade Federal do Tocantins (UFT), câmpus Miracema, conquistou o Prêmio Nacional Mre Gavião na categoria Rituais, Jogos e Cosmovisão. A premiação, organizada pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), reconhece produções fotográficas autorais de artistas indígenas de todo o Brasil.
A cerimônia aconteceu em Brasília, na noite de 21 de janeiro, com a entrega feita pela ministra Sônia Guajajara. Ao todo, 42 fotografias foram premiadas em nove categorias, destacando diferentes aspectos da vida, cultura e cosmovisão dos povos indígenas.
A imagem de Junior registra o Ritual de Iniciação do rapaz Apyãwa, um momento central da cultura Tapirapé. A cerimônia ocorre na Takãra, casa cerimonial da aldeia, usada tanto para rituais quanto para a transmissão de conhecimentos tradicionais. A foto destaca o cocar Akygetãra, feito com rabo de arara vermelha, asa de jaburu e penugem de gavião-real, além de brincos de concha, colares de missangas, pinturas com jenipapo e os cantos e danças que marcam o ritual.

Junior explicou a importância do registro:
“É um momento muito especial para o rapaz, para a família e para o povo Apyãwa. Registrar esse ritual é uma forma de fortalecer nossa identidade e manter viva a nossa cultura.”
O Prêmio Mre Gavião valoriza a auto-representação indígena, homenageando o legado do fotógrafo e ativista Mre Gavião e incentivando narrativas visuais produzidas pelos próprios povos originários.
Para Junior, a conquista vai além do reconhecimento individual:
“Representar meu povo Apyãwa e a UFT é motivo de muito orgulho. Essa vitória mostra que nossa cultura é viva, fruto de luta, esforço e resistência, e merece ser valorizada.”
A premiação reforça o papel da universidade pública na valorização da diversidade cultural e no fortalecimento das vozes indígenas dentro e fora do ambiente acadêmico.