Manaus virou palco a céu aberto durante o ensaio da Banda do Boulevard, realizado na Boulevard Álvaro Maia. Mais do que um aquecimento para o carnaval, o encontro reafirmou a identidade da folia manauara. “É samba, mas também é boi”, resume o espírito da banda, que mistura ritmos e tradições da cultura popular amazônica
Entre surdos, tamborins e maracais, a avenida ganhou vida com o encontro de dois mundos. “É rua, é tradição, é cultura viva”, define a fala que ecoa no ensaio, onde passos de samba se misturam às brincadeiras do Boi-Bumbá, traduzindo uma sonoridade única.
O ensaio marcado para o dia 8 de fevereiro promete uma explosão de ritmos. “É uma mistura de boi, pagode, samba-enredo, carnaval, muita coisa boa. Venha pra cá que você vai ver o que é a verdadeira banda do Boulevard”, convida a organização, destacando a força da manifestação cultural.

Mais do que festa, o momento também é memória. O tema deste ano homenageia o sambista Paulo Onça, referência da cultura popular do Amazonas. “É uma honra fazer parte, porque é uma família. Ainda mais esse ano, homenageando o Paulo Onça, que é super conhecido e representa o samba e o boi na cultura amazonense”, reforça um dos integrantes.
Com mais de 100 participantes — entre ritmistas, passistas, baianas, rainhas e intérpretes — a banda ocupa o espaço urbano como ato de resistência cultural. “Aqui não tem arquibancada, não tem separação. Todo mundo é parte do espetáculo”, destaca o discurso coletivo.
No Boulevard, o carnaval ganha outro significado. “É o povo cantando, dançando e mantendo viva a própria cultura” — uma festa feita pelo povo e para o povo, onde a rua é o palco e a tradição é a grande estrela.