O Bar do Armando ficou pequeno para a animação do primeiro ensaio da Banda da Bica, que reuniu foliões de todas as idades e deu o tom do Carnaval que se aproxima em Manaus. Mesas ocupadas desde cedo, coro afinado e muita expectativa marcaram a noite em que a banda apresentou, em primeira mão, a marchinha de 2026 — carregada de humor, crítica e identidade amazônica.
O tema deste ano nasceu de um dado real que chamou a atenção dos integrantes. “Hoje a China já é a maior produtora mundial de tambaqui, um peixe que é símbolo da cultura amazônica”, explicou um dos integrantes da banda. A constatação virou sátira na nova marchinha, que brinca com a globalização e o mercado: “A Bica não é xinguilingue, mas o tambaqui agora fala mandarim”.

Segundo a banda, a ideia surgiu justamente do contraste entre produção e consumo. “Nós somos os maiores consumidores de tambaqui, porém a China ultrapassou o Amazonas na produção. Aí eu pensei: isso vai dar muito tema para a Banda da Bica”, contou o músico, destacando que o assunto rende “muita brincadeira, muita sátira, muito escracho” — essência que acompanha o bloco desde 1986.
Quem participou do primeiro ensaio já saiu contando os dias para o Carnaval de rua. “Quem veio hoje já saiu com a expectativa lá em cima, esperando o carnaval que está por vir”, reforçou outro integrante, celebrando a resposta imediata do público à nova marchinha.
Entre os foliões, a emoção e a ansiedade eram visíveis. “A nossa expectativa sempre é a melhor de todas, porque o carnaval é um momento de extravasar, de se revigorar para encarar o ano super bem”, disse uma participante, empolgada. “Eu faço tudo o que eu gosto no carnaval: boto roupa legal, danço bastante, vou para os bloquinhos. É a melhor parte do ano. Amo!”
O ensaio também foi marcado por momentos simbólicos, como a passagem da faixa de madrinha. “Tive uma satisfação muito grande de estar aqui no lançamento de mais um ano da Banda da Bica”, afirmou a madrinha do ano anterior. “Ano passado fui madrinha, hoje passo a faixa para a nova madrinha, a Norma Araújo, com o coração muito feliz e agradecido por todo o carinho que recebi ao longo desses anos.”
Criada em 1986, a Banda da Bica segue transformando fatos do cotidiano em música e provocação bem-humorada. Entre confete, marchinha e gargalhadas, o bloco reafirma sua força como um dos símbolos do Carnaval de Manaus. Divertida, crítica e profundamente amazônica, a Banda da Bica mostra que, em 2026, até o tambaqui entrou na folia — e que rir, no Carnaval, também é uma forma de pensar.