Morreu nesta terça-feira (30) Clotilde de Souza, conhecida popularmente como Dona Coló, uma das erveiras mais tradicionais do Mercado do Ver-o-Peso e referência dos saberes populares da Amazônia. Ela tinha 73 anos e estava internada após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). A causa da morte foi parada cardíaca.
Figura emblemática da cultura paraense, Dona Coló dedicou mais de 40 anos ao trabalho com ervas medicinais, raízes, cascas e folhas usadas em tratamentos naturais e rituais espirituais. Seus famosos banhos de cheiro se tornaram conhecidos muito além de Belém, atraindo moradores, turistas, pesquisadores e curiosos interessados nas tradições ancestrais da região.
Descendente de uma família de erveiras, Dona Coló representava a terceira geração de mulheres guardiãs desses conhecimentos, transmitidos de forma oral e prática ao longo dos anos. No Ver-o-Peso, era reconhecida não apenas pela experiência com as ervas, mas também pela sabedoria, acolhimento e respeito à natureza amazônica.

Ao longo da vida, tornou-se símbolo da resistência cultural e da valorização dos saberes tradicionais, frequentemente associados à espiritualidade, à fé popular e ao cuidado com o corpo e a mente. Sua trajetória ajudou a consolidar o trabalho das erveiras como parte essencial da identidade cultural de Belém e da Amazônia.
A morte de Dona Coló gerou comoção entre autoridades, artistas e moradores da capital paraense, que destacaram sua importância para a história, a cultura e a memória do Ver-o-Peso — um dos cartões-postais mais conhecidos da cidade.
O governador do Pará, Helder Barbalho, afirmou: “Com muito pesar recebo a notícia da morte de Dona Coló, erveira do Ver-o-Peso e símbolo da nossa cultura paraense. Sua história, sabedoria e tradição marcaram gerações e fazem parte da identidade do nosso povo”.
Já o prefeito de Belém, Igor Normando, destacou que ela foi “uma das erveiras referências do Ver-o-Peso e da história da nossa cidade”.