Brasil já registrou 148 mortes por picadas de escorpião em 2023; especialistas alertam que 90% das pessoas reagem da forma errada
O aumento de casos de acidentes com escorpiões no Brasil acendeu um alerta entre autoridades de saúde. O Ministério da Saúde divulgou que 148 pessoas morreram após picadas apenas este ano, índice que preocupa especialmente regiões urbanas, onde o inseto tem se adaptado com facilidade.
Segundo o bombeiro e instrutor de primeiros socorros Roberto Lima, 90% das pessoas adotam medidas equivocadas quando alguém é picado. “A maioria corta, amarra ou tenta sugar o veneno, o que agrava ainda mais a situação”, afirma.
Um caso em Minas Gerais exemplifica a diferença entre risco e prevenção. Em outubro de 2023, uma criança de sete anos foi picada ao calçar o tênis pela manhã. A mãe agiu rápido: lavou o local, aplicou compressa morna e levou o menino ao hospital. O soro foi aplicado em cerca de 20 minutos, e o paciente recebeu alta no dia seguinte, sem sequelas. Segundo especialistas, o desfecho só não foi trágico porque os cuidados foram corretos e imediatos.
Para evitar que situações como essa se tornem fatais, Roberto Lima lista cinco orientações essenciais que podem salvar vidas:
O que fazer em caso de picada de escorpião
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Lave o local imediatamente com água corrente e sabão neutro por 1 a 2 minutos. Isso diminui o risco de infecção.
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Use compressa morna por 10 a 15 minutos para aliviar a dor. O calor moderado ajuda; o frio piora o quadro e pode causar necrose.
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Nunca corte, aperte, esprema ou faça torniquete. Essas ações não removem o veneno e podem causar lesões graves.
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Se possível, capture ou fotografe o escorpião com segurança. A identificação ajuda os médicos a avaliar a gravidade — o escorpião amarelo é o mais perigoso no país.
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Procure atendimento médico imediatamente. Vá ao hospital ou acione o SAMU (192) e os Bombeiros (193), mesmo que a dor pareça leve.
Prevenção dentro de casa
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sacuda roupas e calçados antes de usar;
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mantenha ralos e frestas bem vedados;
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não acumule entulho, folhas secas ou materiais que sirvam de abrigo;
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instale telas em ralos e portas, especialmente em áreas úmidas.
Com a adaptação crescente desses animais aos centros urbanos, a informação se tornou uma ferramenta de sobrevivência. Compartilhar orientações, ensinar crianças e observar o ambiente são atitudes que reduzem riscos e podem evitar que mais pessoas entrem para as estatísticas.
Se você já encontrou escorpiões em casa ou conhece alguém em área de risco, divulgar essas medidas pode salvar uma vida. Informação correta, aplicada no momento certo, é hoje uma das maiores aliadas na prevenção desses acidentes.