O samba pode ter nascido no Rio de Janeiro, mas encontrou no Brasil inteiro terreno fértil para florescer. Em Manaus, ele criou raízes profundas. O ritmo pulsa em bares históricos, ecoa em rodas tradicionais e vive na memória afetiva de quem cresceu em bairros onde o carnaval é parte da identidade coletiva. Entre os nomes dessa nova geração está o sambista Victor Rios.
“Nasci e me criei no Morro da Liberdade. É um berço do samba, vamos dizer assim. Lá tem uma escola muito querida, onde eu e minha mãe, por influência dela, crescemos ouvindo samba”, conta o artista.
Aos 26 anos, Victor já pisou no palco do Passo a Passo, dividiu cenas com músicos nacionais e lançou a autoral Fumaceira, inspirada no período crítico das queimadas em Manaus. Em 2025, registrou seu primeiro projeto audiovisual, Raízes, gravado no Mirante Lúcia Almeida — um marco para a nova cena do samba na cidade.
“Recentemente, gravei meu primeiro DVD falando sobre minhas origens. Minhas raízes são feitas desse universo. O samba é minha identidade — foi minha primeira impressão musical”, afirma.
Criado no ambiente da Reino Unido da Liberdade, Victor cresceu cercado por talentos e tradições que mantêm o ritmo vivo. Ali, o samba resiste, contagia e conta histórias. Como todo bom sambista, ele carrega referências que moldaram sua trajetória, inspirando sua forma de cantar e compor.
“Não apenas no samba, mas na bossa nova e na música popular brasileira. Emílio Santiago, por exemplo, para mim está na primeira prateleira. Ele é uma das referências que estudo sempre, pelo estilo, pela voz grave”, destaca.
E quando o assunto é samba em Manaus, o mapa cultural tem paradas obrigatórias. No Centro Histórico, bares tradicionais seguem pulsando, como o Bar do Armando — patrimônio afetivo dos manauaras e ponto certo de rodas vibrantes e cheias de energia.