No meio da manhã, o Ver-o-Peso atinge o pico do movimento. Em 2025, o complexo turístico e cultural passou por uma transformação histórica: as antigas bancas de madeira foram substituídas por estruturas mais seguras, a Pedra e o Mercado de Peixe foram totalmente revitalizados, e prédios como o Solar da Beira ganharam nova vida após obras de requalificação.
Segundo o historiador Márcio Nego, essas mudanças fazem parte de uma trajetória contínua de modernização. “Ao longo da sua história, o Ver-o-Peso passou por inúmeras reformulações. Tivemos uma grande intervenção no início dos anos 2000 e agora esta, que abrange todo o complexo, incluindo diversos equipamentos turísticos. O Ver-o-Peso segue se projetando como o principal cartão-postal da cidade e um centro de referência do artesanato, dos saberes, da ancestralidade e da gastronomia”, afirma.

Durante a COP 30, o Ver-o-Peso recebeu milhares de turistas e reforçou sua posição como vitrine da culinária paraense — reconhecida mundialmente por suas iguarias únicas. Ariadne, turista paulista, volta sempre que pode. “As pessoas são muito bem recebidas aqui. A culinária é muito forte, os sabores do Pará são incríveis. Quem vem de fora aproveita cada momento.”

O fluxo diário impressiona: cerca de 50 mil pessoas circulam pelo complexo, considerado pelo paraense como o maior mercado a céu aberto da América Latina. Ali, cinco mil trabalhadores movimentam uma cadeia produtiva que injeta aproximadamente um milhão de reais por dia na economia local. Para muitos, como Igor, o Ver-o-Peso é mais que um local de trabalho. “Saí do emprego de carteira assinada. Aqui é praticamente minha segunda casa. E dá para encher o bolso, graças a Deus”, celebra.

O peixe é um dos grandes protagonistas do mercado. O Pará produz cerca de 300 mil toneladas de pescado por ano, e diariamente entre 80 e 100 toneladas passam pelo Ver-o-Peso. O peixeiro Marco Antônio resume o impacto dessa rotina. “A gente começa à meia-noite e segue até seis, sete da manhã. Esse trabalho sustenta nossa família. Tudo o que construímos veio daqui.”

E onde há peixe, o açaí é presença garantida. O complexo comercializa cerca de 30 mil toneladas por ano do fruto que é símbolo do Pará — açaí ou jussara, como muitos ainda chamam. O aumento do turismo tem impulsionado ainda mais esse movimento. “Com a COP 30, o Círio de Nossa Senhora das Areias e agora o período do verão até dezembro, temos recebido visitantes do mundo todo”, conta uma das vendedoras.
Renovado, vivo e pulsante, o Ver-o-Peso segue como a alma de Belém — um encontro diário entre tradição, sabores e histórias que atravessam gerações.