O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) oficializou o reconhecimento do “Ofício das Tacacazeiras da Região Norte” como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi aprovada na 111ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, consolidando a importância desse saber tradicional na identidade amazônica.
Tradição que vai além da receita
O título não valoriza apenas o preparo do tacacá, mas todo o conjunto de saberes que envolve o cultivo da mandioca, o uso do tucupi, do jambu, da goma, as técnicas culinárias e as práticas de venda que fazem parte da rotina urbana. Esse ofício representa um modo de vida transmitido por gerações, especialmente entre mulheres que sustentam famílias inteiras com a venda do prato.
A maioria das tacacazeiras aprendeu o ofício com mães e avós, preservando técnicas que atravessam décadas. O trabalho está presente em todas as capitais da Região Norte, com características próprias em cada estado, mas sempre ligado à força feminina e à resistência cultural.
O que muda com o reconhecimento
Com o registro, o IPHAN iniciará a construção de um Plano de Salvaguarda que inclui ações de gestão, empreendedorismo, acesso à matéria-prima, melhoria das condições de comercialização e valorização cultural. A medida fortalece a visibilidade do ofício e pode impulsionar o turismo gastronômico na Amazônia.
A solicitação para registrar o ofício foi apresentada há mais de uma década. Estudos recentes ampliaram o entendimento sobre a importância social e econômica das tacacazeiras, reforçando o papel desse trabalho na manutenção da cultura amazônica e na geração de renda, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Uma conquista simbólica para a Amazônia
O reconhecimento reafirma a relevância do tacacá como expressão cultural e celebra as mulheres que fazem dessa tradição um símbolo de identidade regional. Agora, o ofício passa a ocupar oficialmente um espaço no patrimônio imaterial do país, garantindo proteção e continuidade para as próximas gerações.