A comunidade rural do Acajatuba recebeu, na Fazenda Manancial, um encontro voltado ao aprimoramento das técnicas de cultivo e beneficiamento do guaraná. Produtores da região participaram de um curso promovido pela Embrapa e pelo projeto Sabores Vegetais do Brasil, que apresentou boas práticas de colheita, processamento e industrialização da fruta, um dos principais símbolos da economia local.
Idealizadora do evento, Eliana Medeiro destacou a integração entre diferentes municípios. “Estamos trazendo produtores e técnicos do IDAM de Rurucará, Icuari, Rio Preto da Eva, Itacoatiara e Manacapuru para acompanhar de perto esse aprendizado e fortalecer as ações no campo”, afirmou.
Além dos agricultores, representantes de órgãos estaduais e municipais marcaram presença, reforçando o peso econômico do guaraná da região, reconhecido nacionalmente pela qualidade e pelo potencial de mercado.
Pesquisador da Embrapa, Lúcio Pereira ressaltou a importância da atualização das técnicas agrícolas. “Queremos ampliar essas atividades para mostrar os resultados que já alcançamos e incentivar os produtores a substituir práticas antigas. Isso inclui a renovação de guaranazais improdutivos, o uso de cultivares modernos e a adoção de boas práticas de manejo, que têm elevado significativamente a produtividade”, explicou.
Para Vagner Pachionni, da empresa Sabores Vegetais do Brasil, o curso reforça o papel da difusão tecnológica no desenvolvimento do setor. “Estamos dando mais um passo importante na propagação do conhecimento. O objetivo sempre foi fomentar o setor primário, fortalecer a transferência de tecnologia e envolver produtores, extensionistas e até turistas nesse processo que construímos ao lado da Embrapa e da Fazenda Manancial.”
A programação incluiu demonstrações práticas no campo, permitindo que os participantes acompanhassem todas as etapas — do ponto ideal de colheita ao processamento, que transforma o guaraná em pó, pasta e outros derivados.
A expectativa é que a iniciativa seja ampliada para outras comunidades rurais nos próximos meses, capacitando mais agricultores e abrindo caminho para o aumento da produção e da renda.
Produtor da Cooperativa Tarumã, Carlo Alberto reforçou o impacto do aprendizado no dia a dia da colheita. “Para nós é um dia de riqueza. Estamos no período de colheita e, muitas vezes, perdemos produto por falta de conhecimento. Aqui temos a oportunidade de entender melhor a pós-colheita e o beneficiamento, essenciais para abastecer indústrias de refrigerantes, cosméticos e até o setor medicinal.”