A Amazônia é mundialmente reconhecida por sua floresta densa, biodiversidade única e riqueza cultural. Mas há um potencial pouco visível sob a copa das árvores: solos extremamente férteis que vêm impulsionando uma nova fronteira agrícola sustentável no Norte do Brasil. Entre os destaques está o Acre, que nos últimos dois anos ganhou notoriedade nacional e internacional com o cultivo do cacau nativo — também chamado de cacau fino da Amazônia.
Áreas antes degradadas ou pouco aproveitadas passaram a gerar renda para comunidades, aldeias e agricultores familiares. Um exemplo é o trabalho desenvolvido pelos povos indígenas, como relata o coletor Manchiner:
“É cuidar do cacau e não imaginar a renda que ele poderia gerar na terra indígena Mamaldade.”
A transformação do fruto em chocolate de alta qualidade já é realidade no estado. Cooperativas e produtores independentes comercializam seus produtos para outros estados e até para o exterior, fortalecendo a cadeia produtiva do cacau acreano.

Para ampliar esse avanço, a Secretaria Estadual de Agricultura do Acre prepara o lançamento do Quali Cacau, evento destinado a incentivar a produção de cacau de qualidade e valorizar os produtores locais. O secretário José Luiz destaca que o estado estruturou uma rota estratégica para o cultivo:
“Há dois anos construímos a rota do cacau. Debatemos por que plantar cacau no estado. Hoje somos referência mundial, com preço atrativo e um cacau nativo que prova que investir na cultura dá certo.”
Como parte do planejamento, técnicos acreanos acompanharão o Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Cacau de Rondônia, que acontece em 24 de novembro, em Ji-Paraná. A intenção é adaptar o modelo e implementar o concurso no Acre. Em entrevista à TV Norte, o secretário adiantou que o evento será anunciado ainda este ano:
“Até o dia 15 de dezembro vamos lançar o nosso primeiro Quali Cacau. Queremos que seja internacional, envolvendo Bolívia e Peru, que já possuem grande expertise na produção.”

O secretário também ressaltou a aprovação de recursos que devem ampliar o cultivo do cacau no estado. Entre eles, financiamentos do BNDES e uma emenda de bancada no valor de R$ 34 milhões para implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs).
“Acre tem 84% de sua floresta em pé. Com os SAFs, trabalhamos frutíferas e espécies nativas, o que contribui para reflorestar e fortalecer nossa identidade geográfica. O mundo busca sustentabilidade, e o estado se tornou uma referência”, afirmou.
Com investimentos, capacitação e valorização do cacau nativo, o Acre se consolida como um dos protagonistas da nova economia amazônica.