No balanço do berimbau e no compasso dos tambores, a capoeira mantém viva uma tradição centenária que mistura luta, dança e resistência. Em Manaus, essa arte tem mudado vidas por meio do trabalho do mestre Senegal, fundador do grupo Abadá Capoeira, projeto social que há 12 anos promove inclusão e cidadania através do esporte.
A história do mestre começou ainda na juventude, no Maranhão, quando teve o primeiro contato com a capoeira durante uma aula de Educação Física. “Eu conheci pela primeira vez no ensino médio. O meu professor, que hoje é mestre, me levou para uma aula e desde então nunca mais parei”, relembra.

Desde então, são 27 anos de dedicação à arte que ele chama de paixão e missão. O grupo, criado para compartilhar conhecimento e acolher pessoas, reúne hoje dezenas de alunos — homens, mulheres e crianças que encontram na roda de capoeira mais do que atividade física: encontram um espaço de convivência e superação.
O estudante Shiyou se encantou com o jogo. “A capoeira me chamou atenção pelas movimentações, pela parte didática e principalmente pela história. Ela sempre me encanta”, contou.
Para Carla, aluna há seis anos, o aprendizado ultrapassou os limites do corpo e se tornou um tratamento para a mente. “Eu era uma pessoa muito ansiosa, tinha depressão, e a capoeira me ajudou a expressar o que eu sentia. Foi uma cura”, relata emocionada.
Entre os mais jovens, a empolgação é evidente. João, de nove anos, e Heitor, de oito, já demonstram habilidade e disciplina durante as aulas. Até os sustos e pequenos golpes são encarados com maturidade: parte do aprendizado de quem joga com respeito e espírito coletivo.

Apesar dos avanços, o mestre Senegal destaca os desafios para manter o projeto ativo. “Infelizmente, não é fácil alcançar as políticas públicas ligadas à cultura. Mesmo com toda a regularização, o apoio ainda é limitado”, lamenta.
As aulas do Abadá Capoeira acontecem gratuitamente às terças e quintas-feiras, na mini Vila Olímpica do bairro Santo Antônio, na zona oeste de Manaus. Além disso, o grupo deve expandir as atividades para o SESC do Trabalhador nos próximos meses.
Com cada ginga e cada canto, a capoeira segue cumprindo seu papel social e cultural: preservar a herança afro-brasileira e transformar vidas dentro e fora da roda.