Belém recebe, de 11 a 16 de novembro, a II Mostra Pan-Amazônica de Cinema, no Cine Líbero Luxardo. A proposta é revelar, pela tela grande, a pluralidade de olhares, experiências e modos de existir que compõem a Amazônia de hoje. São 13 curtas e 8 longas-metragens, além de duas mesas de debate, reunindo produções dos nove estados da Amazônia Legal e de países vizinhos que compartilham territórios amazônicos. Toda a programação é gratuita.
A abertura ocorre na terça-feira, 11 de novembro, às 19h, com dois filmes paraenses. O curta Boiuna, de Adriana de Faria — vencedor de três Kikitos no Festival de Gramado deste ano — e o longa Não haverá mais história sem nós, dirigido por Priscila Brasil. Duas obras que aproximam o público de um imaginário que se equilibra entre ancestralidade, memória e cotidiano.
A partir da quarta (12), as sessões acontecem sempre a partir das 16h, com exibições e debates que seguem ao longo da noite. Entre os destaques estão produções inéditas no Brasil, como La Fortaleza (Venezuela), Kaawaï Na Ana, la levée du deliu (Guiana Francesa) e Rio Rojo (Colômbia), além de filmes da Bolívia, Equador e de diferentes cidades e povos amazônicos brasileiros.
Para o curador Bruno Vilella, a Mostra assume um alinhamento com o cinema produzido dentro da própria região. Ele explica que a seleção prioriza obras que exploram novas formas de representar a Amazônia, livres de estereótipos. “Escolhemos filmes que refletem outras maneiras de viver, pensar e sentir a região. Hoje, o cinema amazônico é mais reflexivo e decolonial”, afirma.
O também curador Gustavo Soranz destaca que a programação reúne produções recentes, realizadas entre 2020 e 2025, marcadas por um momento de profundas transformações na maneira de imaginar a Amazônia. “Buscamos mostrar essa diversidade ontológica: diferentes olhares e linguagens que compõem o cinema pan-amazônico contemporâneo”, diz.
A realização da Mostra coincide com o período da COP30 em Belém, evento que coloca a Amazônia no centro do debate internacional sobre clima e futuro. Para Ursula Vidal, secretária de Estado de Cultura do Pará, esse encontro é estratégico. “Estamos trazendo uma produção cinematográfica potente, diversa e profundamente conectada às nossas identidades. Traduzir para as telas o pulso vertiginoso de uma Amazônia em disputa é uma missão que o audiovisual vem cumprindo com imenso vigor”, afirma.
A II Mostra Pan-Amazônica de Cinema é realizada pela Rizoma Audiovisual, Consórcio Interestadual da Amazônia Legal e Organização de Estados Ibero-Americanos (OEI), com patrocínio da Open Society e apoio do Governo do Pará, por meio da Fundação Cultural do Pará (FCP) e da Secretaria de Estado de Cultura (Secult).
A programação completa e atualizações podem ser acompanhadas pelo Instagram: @mostrapanamazonicadecinema.