Às margens do Rio Amazonas, onde a vida acompanha o vai e vem das marés e o balanço das palmeiras, a comunidade Bom Jesus do Rio Saporaí preserva uma tradição que atravessa gerações. É ali que seu Raimundo Alho, conhecido como Seu Santos, começa o dia antes do sol nascer. A rotina é a mesma há anos: subir nos açaizeiros, colher o fruto roxo que movimenta a economia e garante o sustento da família.
A colheita é pesada, exige força e técnica. Mesmo assim, Seu Raimundo fala com orgulho do ofício que aprendeu na infância. Ele lembra que, no passado, o comércio da madeira era o que predominava na região. Mas, com a necessidade de proteger a floresta, a atividade perdeu espaço.
“Antes era a madeira, mas foi abolida. Hoje o meio ambiente não deixa cortar, principalmente aqui na Amazônia. A madeira dá um dinheirinho, mas é muito sacrificoso. Você trabalha o mês inteiro pra só depois receber. O açaí é diferente: você sai de manhã e de tarde já tá com dinheiro no bolso”, conta.

A mudança fez nascer uma nova relação com a terra. O pai de Seu Raimundo plantava e ele seguiu a mesma linha: açaí, frutas, hortaliças. Parte é para consumo da família; o excedente vira renda. Foi assim que ele encontrou no fruto amazônico um caminho de sustentabilidade e prosperidade local.
Mas o avanço na produção só foi possível com apoio financeiro. Com crédito do Banco da Amazônia (Basa), a família ampliou o plantio, melhorou o armazenamento e investiu na qualidade do produto. Seu Raimundo diz que o acesso ao crédito foi mais simples do que imaginava:
“É o banco dos pobres, falando claro. Não tem aquela burocracia toda para acessar”.

Em 2024, o Banco da Amazônia destinou mais de R$ 54 milhões em microcrédito no Amazonas e R$ 68 milhões no Pará, impulsionando cerca de 15 mil pequenos produtores rurais. No Norte, os investimentos em financiamento sustentável já ultrapassam R$ 1 bilhão — recursos que fortalecem iniciativas que geram renda sem desmatar.
Com isso, o açaí consolidou-se como o “ouro roxo” da Amazônia. Mais do que um alimento, tornou-se símbolo de uma economia que cresce preservando a floresta, gerando trabalho e garantindo que as raízes culturais e ambientais permaneçam vivas.
Porque, no fim das contas, o açaí alimenta o corpo — mas é a consciência que sustenta o futuro.
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