A história do centenário Reservatório do Mocó em Manaus.

Centenário reservatório de Manaus guarda memória da Belle Époque amazônica.
Redação Amazônia Incrível
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Escondido na placidez do bairro Nossa Senhora das Graças, vizinho ao secular Cemitério São João Baptista, ergue-se um monumento que é muito mais do que uma simples caixa d’água: o Reservatório do Mocó. Esta imponente construção de arquitetura neorrenascentista é um portal vivo para a Belle Époque manauara, um testemunho silencioso do apogeu do ciclo da borracha.

Sua história começa em 1894, um período em que Manaus, banhada pela riqueza do látex, fervilhava em modernização. O governo de Eduardo Ribeiro enxergou a urgência do crescimento populacional e investiu na obra, inaugurada triunfalmente em 1899. Com cerca de mil metros quadrados, o Mocó foi a solução vital para o abastecimento de água da capital, mantendo sua função essencial até a década de 1960. O uso de materiais de ponta para a época, como o cimento Portland e o ferro inglês, cimentou seu caráter inovador, um verdadeiro símbolo da ambição urbana do final do século XIX.

Tesouro Tombado

A importância do Mocó transcende o mero utilitarismo. Em 13 de março de 1995, ele foi oficialmente tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), garantindo sua preservação como um patrimônio histórico e arquitetônico inestimável.

Embora não seja aberto para visitação interna – o que, segundo relatos, possui tanques metálicos de ferro fundido –, a majestosa obra externa continua a fascinar, reforçando o valor estético e a nostalgia de um tempo de ouro. É comum ver a população marcando a localização na Praça Chile, onde o reservatório se encontra, e utilizando as redes para debater sua relevância e, ocasionalmente, sua função contínua no abastecimento de parte da cidade, um serviço que perdura até os dias atuais. Uma curiosidade é que apesar dos seus 126 anos o reservatório ainda funciona no abastaceminto da cidade.

Mistério no Nome

E o nome, “Mocó”? A própria história da nomenclatura revela a fusão cultural de Manaus. Duas versões principais circulam: uma liga o termo à presença de pequenos roedores na área, talvez uma espécie local. A outra, mais humanizada, aponta para a forte influência dos migrantes nordestinos que, chegando à cidade, usavam a palavra para designar animais como a capivara ou a cotia. Independentemente da origem, o nome ficou e carrega a simplicidade e a riqueza da cultura popular manauara.

Mais do que uma estrutura antiga, o Reservatório do Mocó é o elo entre a Manaus do fausto da borracha e a capital moderna de hoje, provando que a história da cidade não está apenas nos livros, mas nas formas e nos tijolos de seus monumentos mais belos e resilientes. Ele é, de fato, a guardiã da nossa Belle Époque.

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