No dia 9 de outubro de 2025, a Universidade Ca’ Foscari Venezia recebeu a Cacique Sandra Munduruku para um workshop de biojoias, promovendo um encontro entre arte, sustentabilidade e ancestralidade indígena. A atividade, organizada pela professora Vera Horn, contou com a presença de alunos de português e estudantes de outras línguas, além do público externo.
Durante o encontro, Sandra compartilhou saberes tradicionais sobre a confecção de joias sustentáveis com sementes amazônicas, como açaí e jarina, explicando o significado espiritual e ecológico desses materiais. Sob sua orientação, cada participante produziu uma pulseira de açaí com fecho de macramê, vivenciando um processo que uniu estética, respeito à natureza e valorização da cultura indígena.

A abertura do evento ficou a cargo de Rebeca Ferreira, que apresentou o projeto Mi Moda Indígena (Mostra Intercultural de Moda Indígena), destacando seus pilares de identidade, sustentabilidade e diálogo entre culturas. A iniciativa teve apoio do setor de Português da Universidade Ca’ Foscari Venezia, do projeto Mi Moda Indígena e da Associação Tucum Itália, representada por Nair Pires.

A Cônsul Honorária do Brasil em Veneza, Helen Gnocchi, também marcou presença, reforçando a importância do intercâmbio cultural entre o Brasil e a Itália. Para a professora Vera Horn, o encontro foi mais do que um exercício artesanal: “Representou um momento de reconexão com saberes ancestrais e reflexão sobre práticas sustentáveis, fortalecendo pontes entre a Amazônia e o mundo”.
Workshop em Vedelago
Dias antes, em 6 de outubro, o projeto Mi Moda Indígena também foi recebido na cidade de Vedelago, na província de Treviso, com apoio do Setor de Cultura e Igualdade de Gênero local, representado pela assessora Denise Braccio, e do Centro da Mulher, em colaboração com o Consulado do Brasil em Milão.
O encontro, organizado por Nair Pires (Tucum Itália) e Mariah Majolo (projeto FuxiCo), contou com uma série de atividades: um mini desfile de apresentação da Mi Moda Indígena, o workshop de biojoias com Sandra Munduruku, a oficina de pintura corporal com grafismos indígenas, conduzida pelas artistas visuais Elisângela e Amirla Apurinã, e o workshop de dança indígena Kaxiri na Kuia, também com as artistas Apurinã.
Encerrando o evento, o grupo de mulheres locais participou de uma dança coletiva, celebrando o intercâmbio entre culturas. “Finalizamos com uma dança muito bem acolhida e participativa, criando um ótimo clima de partilha entre todas”, destacou Elisângela Apurinã.
Os encontros na Itália reafirmaram o papel da arte indígena como linguagem universal e instrumento de educação ambiental, empoderamento feminino e preservação cultural, aproximando diferentes mundos por meio do respeito à diversidade e da escuta intercultural.