A capital paraense vive dias intensos de preparação, tanto para o tradicional Círio de Nazaré quanto para a Conferência do Clima da ONU, a COP30, que acontecerá em Belém em 2025. Pensando em acolher turistas, peregrinos e a comunidade surda, a Basílica Santuário de Nazaré iniciou nesta semana a celebração de missas em diferentes idiomas.
“Percebemos a necessidade de incluir todas essas pessoas, turistas e também a comunidade surda, dentro da Festa de Nazaré. Foi com essa preocupação que criamos as missas em idiomas. Começamos na segunda-feira com português e Libras, e a aceitação foi muito positiva”, explicou o vigário Josué Bosco.
Segundo ele, o rito da Santa Missa permanece o mesmo em todo o mundo, o que muda é apenas o idioma. Os celebrantes são padres da própria Basílica e também convidados que já atuam na região.
A novidade tem possibilitado aos devotos viver uma experiência de intercâmbio cultural e espiritual mais rica. “Foi uma missa bem emocionante, centenas de fiéis participaram, posso dizer que foi muito positivo”, afirmou Bosco.
Para muitos, a iniciativa é também um privilégio pessoal. O administrador Nay Mendes, que estuda francês, relatou: “Eu sou aluno da Aliança Francesa há bastante tempo e participar de uma celebração nesse idioma, especialmente no período do Círio, é algo muito especial”.
As missas em outros idiomas também têm atraído fiéis de diferentes denominações religiosas. A professora Carla Ribeiro, evangélica, participou ao lado do marido católico. “É a manifestação de fé do Círio. A gente fica encantado e envolvido com o momento, mesmo vindo de outra tradição religiosa”, destacou.
O projeto segue além da festa mariana e já faz parte do planejamento para a COP30. “Em novembro, teremos missa em inglês no dia 2 e em espanhol no dia 13. Após o Círio e durante a COP, vamos manter essa programação. Como a aceitação foi tão grande, pensamos inclusive em continuar com missas em idiomas ao longo do ano”, revelou o vigário.
A iniciativa reforça o caráter universal da devoção a Nossa Senhora de Nazaré e transforma a Basílica em espaço ainda mais acessível, unindo fé, inclusão e diálogo cultural no coração de Belém.