Maués ganhou o título de a maior produtora de guaraná do Brasil.
Maués, cidade do interior do Amazonas, a cerca de 360 km de Manaus, é a maior produtora de guaraná do Brasil. Curiosamente, o país é o único produtor do fruto no mundo, com regiões como o Amazonas, o sul da Bahia e o norte do Mato Grosso oferecendo condições climáticas ideais para o cultivo.
A Fazenda Santa Helena é a principal produtora da cidade, e o engenheiro agrônomo Roosevelt Hada Leal explica a importância da produção local.
“A gente produz anualmente em torno de 60 a 80 mil mudas, essas mudas se destinam a doação a produtores da região. Estes produtores, que são pequenos produtores nacionais de guaranás. Em geral são famílias que já trabalham com o guaraná que já passou de pai para filho, e de filho para neto”.
Atualmente, cerca de 2 a 2,5 mil famílias recebem essas mudas. Cada planta pode produzir 1,5 kg de fruto por ano, durante até 20 anos.
Natanael do Santos, produtor local, detalha seu trabalho com a planta. “Eu comecei a trabalhar com 15 anos no ano passado colhi uma tonelada e 600 kg, meus avós trabalhavam com guaraná. A gente procura o que tá melhor pelo meio, corta os cachos e bota no paneiro”.

Após a colheita, os frutos passam por um processo de fogo que dura cerca de quatro horas. Depois, a produção acaba ensacada e levada à cidade para comercialização, com 1 kg de guaraná custando R$ 22 em Maués.
“Esse guaraná eles comercializam e parte a gente também recebe esta produção deles, mas outra parte também é comercializada na cidade livremente”, conta Roosevelt.

O guaraná também faz parte do cotidiano dos moradores, que o consomem principalmente no café da manhã. José Augusto, produtor, comenta: “Quando não tem o guaraná de manhã o pessoal já amanhece tudo brabo, é esposa, filho, marido, já é o costume que a gente vem trazendo. Para o nosso consumo a gente deixa só a semente torrada, pila com o bastão e também faz o pó. Até fazer uma massa”. Conforma conta.
Para preparar o pó, usam-se trituradores ou, tradicionalmente, um ralador com a língua do pirarucu seca, até atingir a consistência ideal. O pó é misturado com açúcar e água a gosto, podendo ficar mais forte ou mais fraco. José revela que consome o guaraná duas vezes ao dia, de manhã e após o almoço.

O guaraná é conhecido como estimulante natural devido à guaranina, substância semelhante à cafeína. Dona Marina dos Santos, de 92 anos, afirma: “Eu sinto forte meu corpo, não sinto assim baqueada não, eu deito na minha rede e durmo bem a noite”. A filha, Cleuza dos Santos, completa: “Amanhece o dia ela quer tomar guaraná e se não dá pra ela toda hora ela quer o guaraná”.
Coincidência ou não, o percentual de idosos em Maués é o dobro da média nacional. Natanael destaca os benefícios do consumo diário: “Quando a gente toma o guaraná no dia a dia, a gente não adoece, a pessoa fica mais esperta pra trabalhar”. Cleuza confirma: “Quando eu tomo um copo de guaraná eu posso até ir pra roça, aí eu não sinto nada de fome, venho almoçar na hora que eu baixo”.
Fonte: Embrapa /UEA