Artesãs produzem a arte como uma forma de resitência, superação e identidade.
Um grupo de mulheres bordadeiras de Serra Pelada, no Pará, prepara uma homenagem especial para a cantora Mariah Carey, que se apresenta em Belém no próximo dia 17, durante o Festival Amazônia Live. Elas confeccionaram telas bordadas com os nomes da artista e dos filhos, os gêmeos Monroe e Moroccan, além de uma peça central que traz a imagem de uma onça-pintada — símbolo da floresta amazônica e referência da biodiversidade brasileira.
Feita coletivamente por cerca de 80 mulheres, a peça carrega a identidade amazônica, a memória de Serra Pelada e a luta feminina por sustento e reconhecimento.

As artesãs integram o projeto Bordando à Paz, criado em 2023, que reúne moradoras da comunidade marcada historicamente pelo garimpo. Hoje, elas encontram na linha e na agulha uma forma de expressão cultural, geração de renda e fortalecimento comunitário. O trabalho, explicam, é coletivo e feito com paciência e força, em longas horas de dedicação que se transformam em peças capazes de emocionar tanto quem borda quanto quem recebe.
O gesto de entregar o presente à cantora carrega mais do que uma homenagem, pois para as bordadeiras, cada ponto traduz resistência, superação e identidade. A expectativa é que, caso o bordado chegue às mãos de Mariah Carey, o mundo possa conhecer um pouco da vida e da cultura que florescem em Serra Pelada.

Da antiga região do garimpo que movimentou a economia nacional nos anos 1980, surge agora um novo movimento: mulheres que transformam a dureza da realidade em símbolos de esperança. Para elas, o bordado pode se tornar um “embaixador silencioso” da Amazônia, levando consigo a arte, a beleza e a poesia das bordadeiras para além das fronteiras da floresta.