Patrick Colares é um escultor parintinense que, ao longo dos anos, tem se consolidado como um artista de destaque na produção de obras em argila com temática amazônica. Suas peças, em diferentes proporções, retratam o caboclo amazônico, pássaros e cenas do cotidiano do interior, muitas vezes em tamanho real.
Em entrevista exclusiva ao Amazônia Incrível, Patrick relembrou como descobriu seu talento para a escultura.
“Desde criança eu já gostava de desenhar, aí o meu pai deu essa apitidão e a minha mãe também. As vezes que faltava luz em casa eu desenhava na luz da vela. Meu pai me botou numa escola que ele ensinava a desenhar e pintar”. lembrou.
As obras

O artista estudou na Escolinha do Irmão Miguel de Pascale, em Parintins, onde desenvolveu suas habilidades artísticas e ampliou seu talento.
“Ai a minha mãe foi lá e conseguiu uma vaga pra mim eu tinha 10 para 11 anos. Eu comecei na escolinha dele que já tinham muitos outros que estudavam lá. Aprender desenho, a pintar, em seguida ele viu que eu tinha aptidão pra fazer escultura, que já tinha um menino que fazia escultura lá, eu eu era ajudante dele, Ai ele saiu e eu já consegui a fazer umas esculturas de argila, ai dali eu comecei a desenvolver essa parte de escultura. Eu Passei um ano aprendendo a desenhar eu passei três anos aprendendo a pintar ai eu fiquei quase dez anos ali. Quano eu completei 18 anos comecei a trabalhar no Boi”.

Inspirado pela vida simples do interior do Amazonas, Patrick explica que suas criações surgem da observação do cotidiano.
“È o cotidiano diário da vida da gente do interior, você vê um pai cuidando do seu filho, a mãe, uma senhorinha, uma criança brincando. Você vê os pássaros, os animais. São coisas que ficam na memória da gente que convive com isso no Amazonas. Eu fico imaginando a cena, pego um papel para não perder a memória, ai eu rabisco em um papel e vou melhorando pra poder fazer a escultura”.

O material principal utilizado pelo escultor é a argila, trabalhada de forma artesanal em um processo que ele mesmo desenvolveu.
“É a própria argila, o barro, eu compro na indústria de tijolo aqui, eu trago pra casa, e boto de mollo pra derreter, pra poder deixar a massa que eu preciso, pra ficar na consistência”.

Mesmo com o talento natural, Patrick ressalta que a técnica foi aprimorada com estudo e dedicação. Para aperfeiçoar a reprodução do corpo humano, chegou a recorrer a livros de anatomia.
“O Tempo de experiência tanto tempo fazendo, de você melhorar o tempo todo e buscar sempre melhorar. Antigamente quando não se tinha tanto recurso eu sempre buscava melhorar e fui estudando anatomia por conta de uns amigos meus que me emprestaram livros da escola e aos poucos a gente foi melhorando”.

Ao longo de sua trajetória, Patrick já assinou trabalhos em grandes eventos culturais, como o Festival de Parintins e desfiles de escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo.
“A parte do carnaval e o Festival de Parintins, no festival praticamente uns 20 anos trabalhando comecei em 1998 no Garantido e quando foi em 2010 eu comecei a trabalhar no Caprichoso. Ai o carnaval também a mesma coisa, eu trabalhei com escolas de São Paulo uns 10 anos, escultura em isopor, pintando as vezes, e depois eu fui trabalhar no Rio nessa parte de escultura de isopor”.
Com humildade, o artista afirma que não enxerga desafios em peças específicas, mas sim na busca constante por superar seu próprio trabalho.

“Não tem tanta coisa de desafiador. O desafio mesmo é a gente trabalhar, concluir o serviço, fazer tudo direitinho pra tentar agradar ao máximo. Eu tento sempre melhorar, o que fiz ano passado esse ano eu tento melhorar”.
O escultor também revela seu desejo de que a arte produzida no Amazonas seja cada vez mais valorizada.
“O que gosto é que as pessoas venham e olhem pra escultura e eu tento fazer assim pensando para que as pessoas busquem se identificar com as coisas daqui da Amazônia. E até quem vem de fora daqui do estado do Amazonas as vezes se admiram por causa disso porque são coisas daqui da nossa terra. Eu acho bonito as pessoas que moram no interior tem uma vida tranquila, os rios. A gente vive em um estado rico, então que a pessoas olhem que isso que está levando é algo que só tem na Amazônia.”