Em entrevista exclusiva ao Amazônia Incrível, Hadail Mesquita revela como o 1º Festival de Beiradão marca um passo decisivo para valorizar a cultura musical amazônica.
O primeiro Festival do Beiradão do Amazonas acontece no próximo dia 22 de agosto em Manaus, com a presença de Nunes Filho, Márcia Novo, Alaíde Negão e Hadail Pinheiro e Agua Cristalina no Largos de São Sebastião. A programação não conta somente com música, traz workshos, roda de conversas e apresentação de documentários.
Em entrevista exclusiva para o Amazônia Incrível”, O cantor e produtor Hadail Mesquita revelou como surgiu a ideia do 1º Festival de Beiradão. Segundo ele, o projeto começou ainda na pandemia, como uma ação online para fortalecer a cultura musical do Amazonas.

“Essa ideia de divulgar o Beiradão como cultura popular amazonense dentro de um festival ela foi uma semente plantada na época da pandemia. Eu promovi dois festivais online, um com quase seis horas de duração, trazendo artistas falando sobre a cultura. Mostrando a musicalidade, essa peculiaridade do nosso sotaque musical que é o Beiradão e fizemos dois festivais que serviram de piloto para este Festival que vai ter agora no Largo de São Sebastião”.
A programação vai reunir grandes nomes da cena local, como, Água Cristalina, Nunes Filho, Márcia Novo, Alaíde Negão e o próprio Hadail, que prometem um passeio musical entre a história do ritmo e sua nova geração.
“O Beiradão assim como outros gêneros musicais e ritmos com o passar das décadas é natural que tenha essa evolução e o festival vai mostrar isso no repertório dos artistas, sem deixar de perder esta tradição dos precursores do beiradão dos anos 80 do Sax, do Teixeira, Chico Caju, Chiquinho Davi. Da guitarra do Oseas da guitarra, André Amazonas, Magalhães da guitarra. Todo esse brilho ele vai ser reverenciado dentro do festival”.

Para Hadail, o evento será uma vitrine das diferentes vertentes do Beiradão, valorizando sua diversidade e novas formas de expressão.
“No mais a nova geração do Beiradão ela vem mostrar que o Beiradão ele vem abençoar várias famílias, vários artistas, porque hoje o beiradão ele passa não só a ser solado no sax, guitarra, como ele passa a ser cantado. Então essa miscegenação ela vai ficar clara dentro do festival, esse equilíbrio. Com trabalho dos novos beiradeiros, cantando, solando, fazendo o beiradão da sua forma de se expressar artisticamente.”
Além do show, o festival carrega uma missão maior: transformar o Beiradão em Patrimônio Imaterial pelo IPHAN.
“O Beiradão ele não é só um show, além disso tudo a política pública ela é visível dentro da política pública do Beiradão através de documentários que vão mostrar essa cultura, através dos filmes, através das rodas de conversa, que visam trazer os beiradeiros pra dentro dessa cena, construir um diálogo pra que a gente possa dar entrada na patrimonialização junto ao IPHAN. O Beiradão não é uma cultura sazonal que você tem ali em um mês, o beiradão é a expressão cultural mais falada do Amazonas o ano inteiro, e não se trata só da música, é do nosso linguajar, da nossa culinária, da nossa religiosidade”.

O rio, símbolo de vida na região, também é parte essencial dessa conexão cultural. Revelou.
“O rio é um símbolo de vida, ele tá no subconsciente de cada caboco amazonense. É pelo rio que escoa a economia. É pelo rio que o caboclo tem seu alimento. E por que não, não ser pelo rio que nós temos nossa maior expressão cultural, a nossa música”.
Por fim, Hadail reforça o desejo de que o Festival de Beiradão se torne um evento fixo no calendário de Manaus.
“O Festival ele vem consolidar essa maneira de pensar, porque o Beiradão da forma que o movimento cultural pensa ele nunca foi divulgado em grande massa. E a gente espera que o Festival do Beiradão fique no calendário anual da cidade para que mais amazonenses venham a entender este olhar”.