MANAUS, AM — Localizado no cruzamento da Avenida Getúlio Vargas com a Rua Leonardo Malcher, no Centro de Manaus, um casarão centenário chama a atenção pelo avançado estado de degradação. O imóvel, com paredes descascadas e janelas quebradas, virou um marco de abandono em uma das áreas mais movimentadas da cidade.
A construção, que no passado ostentava glória, hoje é um esqueleto que expõe o descaso com o patrimônio histórico local.
Do Apogeu à Ruína

Relatos históricos indicam que o casarão era um ponto de interesse turístico nos anos 1960, destacando-se pela beleza e imponência. Atribuído a uma antiga família portuguesa, o imóvel tem mais de um século e carrega uma sombria história.
O Incidente do Carnaval: Diz a lenda que, há mais de 100 anos, durante um baile de carnaval, uma arma disparada acidentalmente por um dos proprietários atingiu e matou a jovem violinista Ária Ramos, de apenas 18 anos. A tragédia teria selado o destino da casa, e a história popular mantém viva a crença de que, em algumas noites, ainda se ouve o som de um violino vindo da ruína.
Tombamento e Risco Estrutural

A área onde o casarão está situado é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Contudo, essa proteção legal não tem sido suficiente para garantir sua conservação.
- Degradação Física: As rachaduras se aprofundam e o reboco continua a cair.
- Risco Iminente: O avanço da vegetação no telhado e a estrutura comprometida aumentam o medo de um desabamento a cada chuva forte, representando um risco para quem transita pela calçada.
Ações Culturais e o Alerta para o Patrimônio
Apesar do estado crítico, o casarão tem sido alvo de iniciativas que buscam chamar a atenção para sua situação. O Centro Cultural Casarão de Ideias, por exemplo, já promoveu o projeto “Lugares que o Dia Não Me Deixa Ver”.
Nessa intervenção, o prédio abandonado recebeu iluminação cênica em 2023, transformando temporariamente a ruína em um foco de luz à noite, com o objetivo de conscientizar a população e as autoridades sobre a urgência de preservar o patrimônio arquitetônico.
O casarão na Getúlio Vargas é, portanto, um símbolo do dilema de Manaus: a luta entre a preservação de sua história e o avanço da degradação, um lembrete físico de que o descaso pode apagar pedaços importantes da memória da cidade.