Há cinco dias na estrada, um grupo de 40 devotos de Nossa Senhora de Nazaré segue firme na tradicional caminhada de Baião, no Baixo Tocantins, até Belém. A peregrinação, que percorre cerca de 300 quilômetros, é acompanhada pelo repórter Paco Martins, da TV Norte Tocantins, que registra cada momento da jornada marcada por fé, resistência e emoção.
Logo no primeiro dia, a chuva — algo inédito nas edições anteriores — recebeu os caminhantes. “Começou a chover agora, algo que ainda não tinha acontecido em nenhuma das caminhadas que a gente fez nessa saída, mas a gente está aqui firme e forte, feliz”, relatou Paco, encharcado, mas entusiasmado com a energia do grupo.
A caminhada, que dura nove dias, exige preparo físico e espiritual. Os peregrinos enfrentam sol forte, longas distâncias e trechos noturnos sob o desafio da chuva e do cansaço. “Já choveu bastante aqui, e agora é seguir até o nosso destino. Ainda faltam, basicamente, oito quilômetros até onde a gente deve chegar, que é uma escola”, contou o jornalista, que além de registrar a jornada, participa ativamente do trajeto, dividindo a estrada, as orações e os momentos de descanso com os devotos.

O acolhimento das comunidades ao longo do caminho é uma das forças que mantém o grupo em movimento. “Estamos acampando hoje na Comunidade Santo Antônio. Ali já está sendo servido um lanche e todo mundo se organizando para dormir, porque a partir das quatro horas da manhã a gente volta para a estrada novamente”, descreveu Paco, com o olhar de quem entende que cada parada é também um reencontro com a solidariedade e a fé popular.
Com o corpo já sentindo o esforço após quatro dias de caminhada — calos nos pés, dores e o calor intenso —, a devoção segue sendo o combustível. “O sol bem forte, né? Um calor. Os pés já começam a apresentar calos, já começam a doer também”, compartilhou o repórter, entre risos e expressões de cansaço.

Esta é a quinta edição da caminhada dos Promerceiros de Baião, um grupo que se tornou símbolo de perseverança e fé no interior do Pará. Durante o trajeto, os peregrinos se dividem em subgrupos, mas permanecem unidos pela oração via rádio. “Foi uma forma que a gente descobriu de rezar juntos”, revela Paco, que participa do momento de fé como mais um devoto, e não apenas como observador.
A previsão é que o grupo chegue à capital paraense na próxima sexta-feira, dia 10, ao meio-dia — levando não apenas promessas e pedidos, mas também o testemunho de uma caminhada que, a cada passo, reafirma o sentido mais profundo do Círio: a fé que move e une o povo amazônico.